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Santo Agostinho: grupo de pais critica aulas sobre sexualidade e gênero

11 de Julho de 2017 | Notícias - Educação - Nas Escolas

Por Rafaela Matias

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Colégio Santo Agostinho | Foto: Divulgação

Uma polêmica está movimentando a comunidade do Colégio Santo Agostinho nesta terça-feira (11) e dividindo opiniões entre os pais de alunos da escola. O debate gira em torno de conteúdos ministrados durante as aulas que abordam temas referentes a igualdade de gênero e diversidade sexual.  

Tudo começou na manhã de ontem, 10 de julho, quando uma notificação extrajudicial, produzida no último dia 02 e assinada por 128 pais de alunos da instituição, foi entregue à Sociedade Inteligência e Coração (SIC), mantenedora das três unidades do Santo Agostinho (Belo Horizonte, Contagem e Nova Lima). Na abertura do documento, os envolvidos se dizem “sinceramente preocupados com a inserção de conteúdos atinentes à sexualidade e questões de 'gênero' nas mais diversas matérias do currículo escolar, inclusive e principalmente, em Ensino Religioso e Ciências”.

O caso repercutiu nas redes sociais e uma polêmica se instaurou, dividindo opiniões de pais e mães sobre a inclusão dos temas na grade de ensino.          

CONTEÚDO DA NOTIFICAÇÃO

Os assinantes do documento se posicionam de forma contrária à exposição desses conteúdos aos alunos, defendendo que cabe somente à família definir o momento certo de trazer os temas à tona. A notificação pede um posicionamento dos representantes do colégio sobre a exibição de conteúdos “relacionados aos comportamentos sexuais (homossexualismo, bissexualismo, transexualismo, contracepção) e ainda relativos à sexualidade de pessoas adultas, como a prostituição, masturbação, aborto, entre outros temas correlatos, para crianças do ensino fundamental”. Segundo os pais e mães responsáveis pela notificação, os professores não são preparados para transmitir os temas aos alunos e que tornar obrigatório o ensino desse conteúdo configuraria uma espécie de “ditadura educacional”.

RESPOSTA DO COLÉGIO

Em nota, o Colégio Santo Agostinho afirmou ser responsável pela educação de cerca de 8 mil alunos de diferentes realidades e crenças e possuir um projeto pedagógico pautado nos princípios cristãos, católicos e agostinianos, “que contempla a sociedade pluralista em que vivemos, abordando, de forma dialogal e respeitosa, os desafios do mundo contemporâneo.” Além disso, a instituição destacou o respeito à liberdade e apreço à tolerância, estabelecidos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (artigo 3º da Lei 9.394).

Leia na íntegra:

A Sociedade Inteligência e Coração (SIC), mantenedora do Colégio Santo Agostinho (unidades Belo Horizonte, Contagem e Nova Lima), recebeu uma notificação extrajudicial no dia 10/07/17, contendo 128 nomes, questionando a abordagem de alguns temas adotados pela escola. Consideramos importante apresentar esclarecimentos.

O Colégio Santo Agostinho é responsável pela educação de cerca de 8 mil alunos de diferentes realidades e crenças. Nosso projeto pedagógico, fundamentado nos princípios cristãos, católicos e agostinianos, contempla a sociedade pluralista em que vivemos, abordando, de forma dialogal e respeitosa, os desafios do mundo contemporâneo. Primamos pelo respeito à liberdade e apreço à tolerância, orientações fundamentais estabelecidas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (artigo 3º da Lei 9.394).

A escola é um espaço coletivo construído pela relação entre as pessoas, no qual todos os indivíduos devem ser respeitados em sua singularidade. Essa pluralidade pode e deve coexistir em harmonia.

Com uma trajetória de 83 anos em Minas Gerais, amparado pela tradição de sete séculos da Ordem de Santo Agostinho, o Colégio ressalta sua sintonia com o magistério do Papa Francisco, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho e as orientações pastorais da Arquidiocese de Belo Horizonte.

Sendo assim, continuaremos seguros em nossa missão de criar condições para que os alunos possam protagonizar sua própria formação integral (integrada, crítica e criativa), com autonomia e responsabilidade. Para tal, contamos com uma equipe de professores altamente qualificados.

Repudiamos o uso de interpretações equivocadas por aqueles que têm como objetivo distorcer nosso projeto pedagógico.

Reafirmamos o nosso compromisso educacional pautado nos valores agostinianos: solidariedade, fraternidade, amizade, subsidiariedade e justiça.

Agradecemos aos 11 mil pais e responsáveis que dividem a formação de seus filhos conosco.

REPERCUSSÃO NAS REDES SOCIAIS

Na página do Colégio Santo Agostinho no Facebook é possível perceber que o assunto divide opiniões, mas a grande maioria se posiciona em defesa da escola e da inclusão de temas ligados a igualdade de gênero e educação sexual na grade do ensino fundamental. “Orgulho demais desse colégio, pela coerência, respeito e incentivo à diversidade que tanto contribuíram para a minha formação humana! E quanto aos 128 pais que reclamaram, por favor, deem aos seus filhos a oportunidade que vocês aparentemente não tiveram: de conhecer novas ideias e novos pensamentos, convivendo em harmonia em meio as diferenças”, disse uma usuária. “Parabéns ao CSA pela determinação e coerência na discussão de temas atuais e libertadores que, lamentavelmente, ainda são incompreendidos, deturpados e manipulados em defesa do retrocesso e da exclusão”, defendeu outro seguidor.

Outros porém, apoiaram a posição dos 128 pais e se mostraram contrários às declarações da escola. “Vão perder o apoio dos conservadores, que são aqueles que ainda têm filhos (ou ao menos muito mais que os liberais...). Se preferem o aplauso dos ativistas esquerdosos (que estão, inclusive, aqui nessa página defendendo a doutrinação e a ideologia de gênero), fiquem com eles, mas sem a grana das mensalidades dos filhos dos conservadores. Boa sorte!”, ameaçou uma internauta.

Até o fechamento desta reportagem, a publicação tinha 270 comentários e mais de 300 compartilhamentos.