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Conhece a disciplina positiva? Veja os princípios e ferramentas para aplicá-los

05 de Março de 2017 | Comportamento - Educação - Para os pais

Por Cristina Moreno de Castro

A dra. Juliana Franco antes da palestra organizada pela Canguru | Foto: Camila CaponeTratar os filhos com empatia, gentileza e respeito, para que eles cresçam se sentindo acolhidos, seguros, independentes, e os pais não passem aperto com momentos de birra e pirraça.

É nisso que se baseia a disciplina positiva, que foi tema da palestra da pediatra Juliana Franco no último sábado (4), organizada pela Canguru, que lotou o anfiteatro do Pátio Savassi. A dra. Juliana é coordenadora do pronto atendimento pediátrico do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, e entusiasta da disciplina positiva, que aplicou na criação de seus três filhos e que se difere de outras formas de disciplina já velhas conhecidas: a autoritária e a permissiva.

Mas, afinal, o que é disciplina positiva? 

A pediatra resumiu esse conceito em 6 princípios básicos:

#1 Firmeza com gentileza

É preciso ser firme com os filhos, mas mantendo a gentileza. Os gritos e castigos da disciplina autoritária não são contemplados na cartilha na disciplina positiva. Mas, ao contrário da criação permissiva, é preciso ensinar regras às crianças: elas têm que entender o que pode ou não pode.

A partir de 1 ano de idade, já é possível mostrar desenhos para os pequenos exemplificando o que pode e o que não pode fazer. Por exemplo, um desenho mostrando uma criança fazendo carinho na outra – marcado com um sorriso mostrando que aquilo é bem-vindo. Outro desenho, ao lado, mostrando a mesma criança batendo na outra – e um X vermelho deixando claro que aquele não é um comportamento legal.

Anfiteatro do Pátio Savassi ficou lotado | Foto: Camila CaponeAos 2 anos, as crianças entram na fase do "wonderful two" (nada de "terrible two", pessoal!), quando querem explorar o mundo ao máximo e, para isso, testam os pais para ver qual será a reação deles a cada limite ultrapassado. É a fase das birras e pirraças, daqueles esperneios no supermercado ou na loja de brinquedos no shopping. E aí, o que fazer? Nessa hora, é importante conversar, mantendo o tom de voz normal (sem desesperar junto e gritar mais alto que o filho), se preciso ir para um cantinho onde há menos olhares ao redor julgando, e nunca ceder à imposição do filho que está gerando aquela birra. Se ceder depois de uma birra, será pior! Ele vai achar que a birra é o caminho para conseguir o que quer. 

É importante observar mais os filhos, para ver quando eles fazem uma coisa bacana, e elogiar imediatamente. "A gente só vê o filho quando ele está fazendo coisa errada. Temos que elogiar o que ele fizer de bom e parar de valorizar o mau comportamento", diz Juliana.

Se o filho nunca empresta nada para os amiguinhos, por exemplo, não fique reforçando isso o tempo inteiro, mas elogie imediatamente no momento em que ele emprestar. Ele vai ficar feliz, inchado com o elogio, e vai repetir o gesto (e esperar novos elogios por esse gesto!).

Elogiar é diferente de dar recompensar materiais a cada conquista do filho. "As crianças começam a achar que o amor está ligado ao material." Presente é para datas especiais, como aniversário ou Natal, e as crianças devem entender isso.

#2 Dar escolhas para o filho sempre que puder

Foto: PixabayVocê já deve ter vivido o seguinte diálogo:

– Filho, vamos tomar banho?

– Não quero!

– Mas está na hora do banho.

– Mas não quero, não vou!

Como continuar a conversa? A dra. Juliana sugere incluir escolhas para o filho sempre que houver espaço para elas. Ou seja, não há opção: a criança tem a hora do banho, e ponto final. Mas ela pode escolher: banho de chuveiro, banho na banheirinha, banho com música ao fundo, banho com brinquedo, encher balão de água no banho etc. Podemos criar algumas possibilidades e oferecê-las num cardápio para a criança decidir. "Quando a criança vê que tem escolhas, ela vê que tem direito sobre a própria vida."

O importante é não banalizar o "não". As crianças aprendem a dizer "não" quase assim que aprendem a falar e esta é a palavrinha que mais ouvem dos pais. Não pode. Não isso. Não aquilo. Mas será que não pode meeeesmo? Ou é só que estamos sem tempo ou sem paciência para lidar com aquela baguncinha extra? 

A médica sugere que o casal discuta, antes de falar com a criança, o que é um NÃO de verdade. Nunca discutir na frente do filho. "A relação harmoniosa entre os pais faz com que as crianças tratem bem os outros também."

Foto: Pixabay#3 Filho tem que cooperar nas coisas de casa

As crianças gostam de ajudar nas tarefas de casa; se sentem úteis, veem que são parte da família, é algo que fortalece sua autoestima. 

A disciplina positiva incentiva que pais e filhos lavem vasilhas juntos, que as crianças arrumem a cama, que participem. E nada de dar reconhecimento financeiro por essa participação. Como foi dito no item 1, os reconhecimentos podem ser abraços, beijos, cheiros, chamegos, mas coisas materiais podem distorcer a visão que as crianças têm do reconhecimento.

#4 Incentivar a independência do filho

Ao ajudar nas tarefas de casa, as crianças também ganham mais autonomia, que é um dos princípios da disciplina positiva. 

Se seu filho pede para você um suco no restaurante, por exemplo, incentive ele a pedir direto para o garçom, a especificar o que quer. As crianças precisam aprender a resolver o que podem desde cedo, ou crescem adolescentes que não sabem resolver nenhum problema.

Quando a criança conseguir resolver alguma coisa sozinha, elogie. "Um elogio sincero é transformador", diz Juliana.

#5 Deixar sofrer consequências naturais dos erros

Caiu? Machuca. Não foi bem na prova? Tira nota ruim. Aqui não é o caso de falar de castigos, de "consequências" impostas pelos pais, mas de deixar que as crianças também aprendam com os erros, com as dores, com as situações desagradáveis. Crianças superprotegidas crescem adolescentes que não sabem lidar com frustrações, que não estão preparados para receber um não. É preciso que as pessoas também saibam experimentar a dor.

Foto: Pixabay#6 Dê o exemplo

Seu filho é seu espelho. "Você pode reconhecer suas fraquezas olhando para seu filho e refletir sobre elas." Alguns pais e mães querem, por exemplo, que o filho cumprimente o porteiro da escola, mas os próprios nunca cumprimentam ninguém. Querem que a criança não grite, mas só falam gritando com o companheiro. Temos também que saber pedir desculpas para o filho. Dizer, por exemplo: "A mamãe também erra. Eu não deveria ter gritado, não é isso que te ensinei, me desculpe."

 

 

Ferramentas para ajudar

Falar é fácil, mas como aplicar, na prática, todos esses conceitos? Será que basta fazer tudo isso para que seu filho seja disciplinado, educado, gentil? A pediatra Juliana Franco dividiu quatro ferramentas que ajudam quando os conflitos e situações surgem, no dia a dia.

 

#1 Reunião familiar

É uma reunião que deve acontecer toda semana, sempre no mesmo dia e horário, como parte da rotina familiar. Crianças de 1 a 2 anos já podem participar.

O melhor é começar sempre com os elogios. A médica diz outros itens da "pauta" das reuniões na sua casa, que são aguardadas ansiosamente pelos filhos: melhor e pior coisa que aconteceu na semana, meta da semana e como atingir a meta. É um momento que toda a família tem para expor seus sentimentos e adequar a rotina. 

Reprodução / Pinterest#2 Potinho da calma

É um instrumento montessoriano, fácil de fazer, usando apenas um potinho de plástico, água morna, cola, gliter e outras pedrinhas ou enfeites coloridos fáceis de encontrar na papelaria da esquina. Esse potinho da calma é uma mão na roda na hora dos escândalos de pirraça/birra ou em qualquer outro momento de nervosismo das crianças, desde as pequetitinhas

Outros itens que ajudam a acalmar as crianças mais nervosinhas é o joão-bobo e as almofadinhas: principalmente como "escape" para as crianças que gostam de bater ou morder os amiguinhos. 

#3 Cantinho do relaxamento

Não é um cantinho para a criança ficar de castigo, mas para ela relaxar quando estiver naqueles momentos "levados", por exemplo. E não é para ficar sentada no milho olhando para a parede, como no tempo das disciplinas autoritárias dos nossos anós. Pelo contrário: ela deve se entreter naquele cantinho, e você pode colocar peças de Lego, desenhos, figurinhas, o potinho da calma, coisas legais para as crianças passarem o tempo.

Divulgação#4 Quadros / relógios de rotina

Você pode montar esse relógio com itens de papelaria também, como cartolina.

A própria criança ajuda a discutir os horários de sua rotina, de acordo com a possibilidade dos pais.

Depois, na hora da birra por causa do banho ou da janta, por exemplo, você pode argumentar: "Mas essa hora da janta foi escolhida por você, lembra? Está no quadro de rotina!". Esse quadro pode ser montado durante as reuniões familiares, por exemplo.

 

Galeria de imagens

Ao final da palestra com a dra. Juliana, pais e mães que participavam na plateia estavam maravilhados com todas as informações transmitidas durante o evento. A equipe da Canguru também ficou encantada! Confira nosso álbum de fotos: