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'Tão conectados, às vezes deixamos de prestar atenção ao mais essencial'

06 de Junho de 2018 | Artigos

Por Eduardo Augusto

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Foto: Deposit Photos

 

Houve um tempo em que os pais se preocupavam com a televisão. Muitos a chamavam de “babá eletrônica”, numa época em que ainda era possível assistir a programas legais, inspiradores e leves. O pai chegava em casa exausto e acionava logo o controle remoto, geralmente em busca de algo que pudesse aliviar as duras batalhas da vida.

A TV hoje parece não incomodar tanto. Ela foi substituída por intermináveis ondas de cliques, curtidas, selfies, aplicativos da moda, repetitivas mensagens de WhatsApp e incansáveis reclamações do cenário político no Facebook. Há quem proteste porque não temos mais tempo para comer juntos, saborear um bom prato ou simplesmente contemplar uma bela paisagem pra guardar na memória. Registros se acumulam nos dispositivos. Há quem fique conectado o tempo todo e, ao olhar para os lados, descubra que outros fazem o mesmo. Vi outro dia mãe e filha com celulares nas mãos. Elas não se olhavam nem se falavam. A pequena devia ter só uns 4 anos. Tive vontade de dizer à mãe: “Vai passar muito rápido! Aproveite este tempo com sua criança!”. Mas não tive coragem! Afinal, é só olhar para os lados...

A TV hoje parece não incomodar tanto. Ela
foi substituída por intermináveis ondas de
cliques, curtidas, selfies

Assusta saber que talvez estejamos deixando de prestar atenção ao mais essencial: uma graça, um sorriso, um olhar. Uma flor, alguém que caminha feliz por nada. Um céu límpido numa manhã fria ou mesmo a calma outonal de mais uma estação. Por que há tanto barulho, por que estamos deixando a sala de jantar tão vazia? Por que estamos deixando as novas gerações nesse mergulho virtual quase sem fim, sem nada fazer?

Não, peraí! Vem cá, vamos conversar, sair, passear, desenhar, voar! Respirar! Dá uma sensação enorme de que antes o tempo passava mais devagar... Não desanimemos de todo com diagnósticos e prognósticos sombrios. Melhor será deixar por algum tempo as crianças distantes das telas que piscam sem cessar, da novela das oito, das propagandas enganosas e cheias de truques. Melhor será celebrar a vida, encontrar os amigos, beijar a esposa, o marido, namorar. Melhor será brincar com os filhos, escutá-los, conhecer suas histórias, se aproximar, trazendo-os para mais perto, quem sabe tomando uma deliciosa sopa juntos, em família. Quem sabe, saindo um pouco para ver o luar. Isso, sim, é ter um horário nobre.

 

Eduardo Augusto é mineiro de Ouro Preto e mora em Belo Horizonte há 17 anos. Casado com Ana e pai de Clara, de 11 anos, Eduardo é escritor e cronista, com diversos textos publicados em sites, jornais e revistas. Em 2014 lançou seu primeiro livro infantil, Marioleia, a Pulguinha que Gostava de Ler (editora Impressões de Minas). Prepara um livro de crônicas para 2018. Além disso, é educador parental certificado em disciplina positiva pela Positive Discipline Association.

 

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